O CRACHÁ
Conta-se que num Tribunal de Justiça de um determinado Estado brasileiro o Desembargador-Presidente resolver baixar Portaria determinando a utilização de crachá por todos os servidores daquela Corte.
Após algum tempo, verificando que poucos eram os servidores que adotaram a norma, o Desembargador resolveu fiscalizar o cumprimento da norma pessoalmente.
A partir daí e durante meses o Tribunal passou a viver num clima de tensão com o Desembargador resolvido a botar ordem na Casa.
Encontrar um servidor sem portar crachá nas dependências do aludido Tribunal era motivo bastante para a expedição de advertência escrita, com grandes possibilidades de perda da função.
Certa vez, o Desembargador, na saída do Tribunal, dá de encontro a um servidor que vem subindo as escadas da Corte em desabalada carreira e, pior, sem portar o famigerado crachá.
Resolvido, o Desembargador dispara atrás do indisciplinado servidor e, no momento em que o mesmo vai virando o corredor tomando a direção do banheiro, o Desembargador segura-o pelo colarinho.
O assustado servidor, vendo tratar-se do próprio Presidente do Tribunal e certo de que receberia a advertência naquele mesmo instante, virou-se e implorou:
- Pelo amor de Deus, Senhor Desembargador, me deixe pelo menos eu ir ao banheiro sem crachá....
O Desembargador, verificando que a infração cometida pelo servidor estava respaldada por motivos de força maior, largou o apressado e resolveu esquecer o caso.
Colaboração de Altamiro Dantas
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