INDIGNAÇÃO
Renato Guilherme Góes
Senhores leitores, já pararam para pensar como será tranqüilo a vida de criminoso, se a lei que proíbe a venda de armas for aprovada? Eu, por exemplo, se bandido fosse, chegaria para assaltar em um semáforo, faria o que quisesse com a vítima, roubaria, estupraria, daria até risada do olhar de pânico da mesma e iria embora feliz e contente por mais um dia de serviço "duro, suado".
Nós só vemos estatísticas de que arma é o pior mal do mundo, arma acaba com a vida. Mas, já pararam para pensar que quem aperta o gatilho é um cidadão desamparado pelo Estado, que nunca recebeu educação, que viu o pai morrer por não ser atendido em um hospital público, que viu o filho se acabar pela droga, que mora em um barraco de madeira sem água, sem higiene?
Vamos para o lado mais técnico: Já pararam para pensar que as armas apontadas para nós, durante nosso trajeto para casa, em um semáforo qualquer, não são armas permitidas para civis? Já ouviram dizer que bandido usa AR-15, Mini Ruger, AK-47, metralhadoras, pistolas semi-automáticas ou automáticas nos calibres .40, 9MM, .45, granadas de mão? Façam o teste, vão até uma loja de armas e munições e peçam por algum desses equipamentos, vejam se conseguem adquiri-los legalmente pela loja.
Os Senhores conseguirão adquiri-los através de contrabando, contrabando este que é responsabilidade do governo cuidar.
É sempre assim, acontece algo que chama a atenção e o governo cria uma lei só para falar que tomou todas as medidas possíveis, que ele fez a parte dele. Mas se esquece de fazer cumprir a lei, se esquece de aplicá-la com vigor.
Tomemos como exemplo a Lei da tortura, a Lei dos Remédios Falsificados, o novo Código de Trânsito. Para que serviram? O que resolveu? Alguém ouviu falar que a violência acabou? Alguém ouviu falar que os remédios falsificados não existem mais? Alguém me diz que o trânsito melhorou?
O mesmo acontecerá com a Lei de Armas. Mais uma lei criada para diminuir a cobrança da Imprensa, do povo. Já temos uma excelente Lei sobre o assunto que é a 9437/97. O que falta para melhorar não são mais leis, mas sim aplicar as já existentes com mais rigor, sem exceção.
Mas podemos ouvir o seguinte: - "Claro que melhorou, você não viu os policiais de Diadema serem condenados?". - "Você não viu como o pessoal respeita o limite de velocidade nas rodovias?
Aí eu respondo: -"Por favor, vão até a Rodovia Bandeirantes, por exemplo, fazer o teste. A maioria dos veículos estão acima da velocidade permitida, que é de 120 Km/h. Falo mais: Vejam a velocidade que eles passam em frente a guarita da Polícia Rodoviária. Quase ninguém reduz para à velocidade permitida.
Respondo mais: - "Precisou criar alguma lei nova para pegar o Maníaco do Parque? É obvio que não, nossas leis são excelentes, basta aplicá-las. A mesma coisa com relação aos policiais de Diadema; alguém acha que eles foram condenados graças a Lei sobre Tortura? Ou foi porque filmaram as barbaridades e a imprensa mostrou milhares de vezes por dia?
"Armas não matam pessoas. Pessoas matam pessoas."
Se eu reajo a um assalto, eu, somente eu, estou assumindo o risco de morrer, de me ferir. E se porventura eu ferir alguém devido a essa reação, tem leis que me obrigam a uma sanção pelo ato. Existe o Código Penal, existe dentro dele os artigos. 121 ( Homicídio), o 129 (Lesões Corporais), basta aplicá-los. Não é necessário uma Lei Nova.
Agora, é justo alguém ser prejudicado por que o contrabando de armas, drogas é intenso, incontrolável? É justo alguém ser prejudicado por que falta educação, comida, a população? Claro que não!
Do mesmo jeito que não é justo ser assaltado, ser privado da vida por uma bala perdida, também não é justo, ser privado do uso de arma de fogo, ser privado de se sentir seguro dentro de sua residência.
A falta de informação é tanta, que necessito citar dois casos recentes que me vem a memória no momento: Semana passada ouvi uma repórter dizer que o rapaz ao limpar o "revólver calibre 38" disparou contra a cabeça do próprio filho, mas alegou que desmuniciou a arma, mas não sabia que havia ficado uma bala na câmara fechada. Ora nem eu sabia, e ninguém, por mais profissional que seja em armamento saberia, pois revólver não tem câmara fechada, ao desmuniciar qualquer revólver todas as munições ficam visíveis. Agora eu pergunto: De quem é a culpa foi da arma de fogo que, maliciosamente, escondeu uma munição para disparar sozinha e matar a criança?
Outro caso que chamou-me a atenção foi alguém alegando que tem que acabar com as armas pois as balas perdidas estão perfurando paredes e fazendo vítimas dentro das próprias moradias. Por favor perguntem a algum técnico em munição se o calibre 38 perfura paredes, se o 32, o 22, o .380 perfuram paredes? Faço essa indagação pois são estes os calibres permitidos para o uso do civil. Perguntem ainda se o calibre .357, .40, 7,62 e outros perfuram paredes? Estes sim. Estes são os contrabandeados, os calibre que bandidos usam e que nem a própria polícia pode usar. Deixarei a pergunta no ar: De quem é a responsabilidade sobre o contrabando de armas?
E o sitiante, o proprietário rural? Terão que enfrentar onças e outros bichos a unha? E mais, o peão, morador de uma fazenda no meio do mato, a 200 Km da cidade, sem telefone, deverá sentar e ver sua filha ser violentada por uma bandido qualquer, enquanto não passa nenhuma viatura policial?
E o colecionador de armas, o atirador que tem armas de herança, relíquias com valor estimativo, armas que valem fortunas? Seria justo retirá-las desses proprietários legais, que pagaram tudo o que foi imposto para adquiri-las? Seria justo retirar uma arma avaliada em R$ 1500,00 pagando o valor de R$150,00? Não seria um confisco? Não seria Inconstitucional? Não fere o direito adquirido? Não fere o direito a propriedade?
Ora senhores leitores, acho que está na hora de pensarem melhor quanto a essa lei. É melhor termos uma única lei bem aplicada do que milhares sem efeito algum.
Acabei de ouvir em um telejornal: "- Temos que recolher as armas, as armas nos deixam muito valentes."
Então eu peço: "-Por favor, recolham também as facas de cozinha, os facões, os ferros, os pedaços de madeira, o extintor, a chave de roda, e outros instrumentos, pois senão nós nos consideraremos muito valentes! Não se esqueçam também de acabar com as artes marciais, pois sem armas nos armaremos com as mãos!"
Renato Guilherme Góes
Colecionador de Armas,
Bacharel em Direito e Policial Civil em São Paulo
Especial para O NEÓFITO
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